Essas palavras de Jesus podem parecer ultrajantes para milhares de pessoas que não conseguem alimentar suas famílias ou fornecerem roupas para protegerem-se do frio. No entanto, se se as ouvir atentamente, perceber-se-á que suas considerações não são desprovidas de sabedoria. Atrás do que parece despreocupação, está um segredo que é descoberto quando se dá conta das palavras que formam o discurso. A princípio Jesus adverte: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro”. No final, Jesus mostra o caminho a percorrer para...
“Não ajunteis tesouros para vós na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no Céu”… Quais tesouros as pessoas têm se preocupado em acumular? Jesus lembra que Deus olha para o coração e nos convida a perguntar onde estão nossas verdadeiras prioridades. Onde está o meu coração e, portanto, o meu tesouro? Em algo duradouro, que não pode ser corrompido pela ferrugem ou roubado, ou em algo puramente material, como dinheiro, sucesso, popularidade...
Há um princípio válido de maneira geral para a vida cristã: “Buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33). A vontade de Deus deve ocupar o primeiro lugar. E a vontade de Deus, expressa no Pai-Nosso, é que se reze, mas, principalmente, que se viva como irmãos, que suplicam juntos por suas necessidades ao Pai do Céu. A grande força para não cair na tentação é a oração. Jesus ensina a “rezar sempre, sem nunca desistir”. A oração pode ser memorizada, meditada, espontânea, esquematizada...
Esmola, oração e jejum, são válidos e propícios se estabelecem uma comunhão com o Deus invisível. Assim, receber-se-á a recompensa do Pai, que vê tudo no segredo. É preciso esmola sem ostentações que favorece a vivência da caridade e comunhão com o outro; oração sem vaidades para estabelecer comunhão com Deus; e jejum sem falsa piedade para se atingir autocontrole e comunhão consigo mesmo. Mais uma vez Jesus se apresenta como um mestre que ensina com autoridade, desejando que seus alunos aprendam e pratiquem boas obras...
Jesus ensina a seus discípulos que sejam perfeitos como o Pai Celeste é perfeito. Como? Ora, Deus permite que a chuva caia e o sol se abra tanto sobre os bons quanto sobre os maus, sobre os justos e sobre os injustos. Assim deve ser o amor para com o próximo, mesmo que ele seja um inimigo, malvado, injusto. A perfeição cristã, está em agir exatamente de forma contrária aos que não seguem a Jesus: amar os inimigos, orar pelos que “me perseguem”. Além disso, é vivendo assim, sendo a diferença no mundo, sal e luz da terra...
Sabemos que toda amizade precisa de encontros. Todo relacionamento, para se tornar efetivo ou afetivo, necessita de presença. Assim é a força da oração: ela tem a capacidade de produzir encontros que geram diálogos e, no diálogo, acontece algo extraordinário: a intimidade. O simples fato de estar perto, falar, interagir, dialogar, intensifica a amizade, gera vínculos. No diálogo aberto, sincero e verdadeiro, há liberdade para abrirmos o coração e mostrar nosso interior do jeito que ele é e como ele está. E acontece outro fato...
Neste trecho do Evangelho, Jesus nos aconselha a sermos desprendidos da Lei Antiga, que ensinava a revidar o mal que nos fosse feito. Ele, Jesus, veio trazer o Reino de Deus, ou Reino de Amor, que nos ensina justamente ao contrário. Amar a quem nos ofendeu ou odeia-nos é tarefa bem difícil, pois, por natureza, facilmente ficamos cheios de ódio quando alguém nos ofende. Como nosso Salvador nos ensinou, “Tendes ouvido o que foi dito “Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau”. Só a...